PREPARATIVOS PARA UMA CAMINHADA

Por Fábio França

http://www.marcos-cabral.eti.br

1-Providências iniciais

Convites para a realização de caminhadas e outras atividades aparecem com freqüência na lista. Normalmente eles ficam publicados na página Próximas Caminhadas, e lá você encontrará as informações disponíveis sobre esta caminhada, bem como quem a está coordenando. Caso você se interesse em participar, informe-se com a pessoa que estiver coordenando sobre:
- A duração e a dificuldade (técnica e física) estimadas para a atividade
- A localização e a condução até o local da atividade
- O ponto de encontro e o horário de saída
O equipamento necessário (checar a lista no final do texto)
A quantidade de água(cantis) por pessoa
O tipo de alimentação mais indicado
Confirme sua participação com antecedência, mandando um e-mail para a lista. Algumas atividades têm um limite máximo de participantes. Chegue na hora combinada ao ponto de encontro.

2-Responsabilidade e risco

Nas atividades propostas através da lista, não existe um responsável único pela segurança do grupo. A pessoa que estiver coordenando a atividade não pode ser responsabilizada pela segurança ou pelo bem estar dos participantes, nem pela realização ou não da atividade. Nas atividades do grupo, a segurança de todos é responsabilidade de cada um. Espera-se dos participantes que, com o tempo, aprendam noções básicas de segurança em caminhadas, primeiros socorros, uso correto de equipamentos etc. Aliás, este é um dos grandes objetivos da lista; a troca de informações confiáveis acerca da vida ao ar livre.
Conheça suas limitações, e identifique o nível de risco que você está disposto a aceitar. Ninguém pode fazer este julgamento por você. Participar em atividades que estejam acima de sua habilidade atual e para as quais você não possui o equipamento adequado poderá causar transtornos para você e para os outros participantes. Sempre haverá a oportunidade de realizar a mesma atividade mais tarde, quando você estiver melhor preparado e melhor equipado.
AO CONVIDAR PESSOAS QUE NÃO FAÇAM PARTE DA LISTA PARA UMA ATIVIDADE, É SUA FUNÇÃO PASSAR TODA A INFORMAÇÃO NECESSÁRIA E APOIÁ-LAS NO TRANSCORRER DA ATIVIDADE.

3-Informações úteis nos preparativos para uma caminhada

Níveis de dificuldade

Podemos dividir a dificuldade das caminhadas em dois componentes: a dificuldade técnica e a dificuldade física.
A dificuldade técnica envolve a complexidade do roteiro, a inexistência de trilhas bem marcadas, a necessidade de utilização de mapa e bússola, a necessidade de utilização de técnicas e equipamentos de segurança etc. Classificamos as trilhas em 3 níveis de dificuldade técnica: fácil, simples e complexa.
Quando a caminhada vai se dar em uma região ainda desconhecida, onde não se sabe qual as dificuldades a serem encontradas, dizemos que ela é exploratória. É o caso das caminhadas para visitação de Confluências.
A dificuldade física envolve a distância a ser percorrida, o desnível a ser vencido, o tempo total do percursos, a existência de obstáculos etc. Dividimos também a dificuldade física em 3 níveis: leve, moderada e pesada.
Em escalada em rocha a dificuldade das vias é avaliada dentro de um sistema de graduação. Existem muitos sistemas de graduação, e no Brasil ainda há muita confusão, pois vários sistemas são utilizados simultaneamente.
Em canoagem, os trechos de corredeiras também são classificados em graus, conforme sua dificuldade.
Condicionamento físico
O prazer de realizar uma atividade ao ar livre está diretamente relacionado ao nosso condicionamento físico. Uma mesma caminhada, que para uma pessoa mal condicionada pode ser fonte de desgosto e sofrimento (Ralação!!), pode ser um passeio tranqüilo para uma outra que esteja em boa forma. Quanto melhor o nosso condicionamento, maior será o número e a variedade de caminhadas (e outras atividades) que estaremos aptos a realizar.
E a melhor preparação para uma caminhada é caminhar com freqüência. O mesmo se pode dizer de outros esportes de aventura. É preciso começar com as atividades mais leves, e gradualmente aumentar nosso condicionamento, aumentando assim nossas oportunidades de divertimento.
Para os mais apressados, ou aqueles sem oportunidade de caminhar com freqüência, existe a possibilidade do desenvolvimento de programas de treinamento específico, que podem incluir ciclismo, corrida e musculação. Mas nenhum treinamento substitui o ato de colocar uma mochila nas costas e sair para caminhar.

Código de segurança em excursionismo

1. Um grupo de três é o mínimo, a não ser em caminhadas curtas em locais de fácil acesso e bastante freqüentadas.
2. Use corda e material de segurança sempre que estiver em local exposto.
3. O grupo deve se manter unido e obedecer ao guia ou a regra da maioria.
4. Escolha objetivos compatíveis com sua habilidade e conhecimento
5. Leve sempre com você o equipamento necessário
6. Deixe um roteiro da caminhada com alguém de confiança, para que saibam onde você está.
7. Comporte-se de maneira ética, respeitando a natureza, as populações locais e os outros excursionistas.

Regras de excursionismo de baixo impacto


1. Caminhe em grupos pequenos de, no máximo, 10 pessoas.
2. Use trilhas pré estabelecidas sempre que possível. Não use atalhos que cortam caminhos. Caminhe na própria trilha, e não ao lado dela.
3. Use locais de acampamento pré estabelecidos sempre que possível, a pelo menos 60 metros da água.
4. Enterre as fezes humanas à pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água.
5. Evite acender fogueiras, a não ser em casos de emergência.
6. Caminhe em silêncio. Excesso de ruído (música, risadas, gritos) afasta os animais e incomoda outros excursionistas.
7. Evite utilizar roupas e outros equipamentos de cores berrantes, para evitar a poluição visual.

Lista básica de equipamento

Talvez o ser humano tenha se tornado realmente “humano” quando criou a primeira ferramenta complexa; quando o primeiro machado de pedra foi construído e utilizado para a obtenção de alimento; quando, pela primeira vez, peles de animais foram utilizadas para a proteção contra o frio; quando o fogo foi produzido a partir do atrito entre dois gravetos e utilizado para manter as feras à distância.
E, ainda hoje, a nossa civilização e a nossa “humanidade” dependem das ferramentas com as quais nos equipamos. Longe das cidades e mais próximos de como viviam nossos antepassados, esta antiga verdade fica ainda mais clara. O nosso bem-estar no agreste depende intimamente daquilo que levamos nas mochilas em nossas aventuras.
Para começar a caminhar é necessário um mínimo de equipamento, mas um mínimo que não pode ser negligenciado. A maior parte do que é necessário pode ser improvisado, emprestado ou adquirido a baixo custo. Itens mais específicos, como mochilas, barracas, sacos de dormir, botas especiais etc devem ser adquiridos com o tempo, após consulta a excursionistas mais experientes. Existe muito material de boa aparência mas de péssima qualidade no mercado. Para os iniciantes, é muito difícil “separar o joio do trigo”.

Os dez essenciais

No panorama mundial das atividades “outdoor”, definiu-se uma lista básica de equipamentos que deverá a qualquer hora, em qualquer lugar, estar acessível na mochila de todo excursionista. A esta lista se deu o nome de “ os dez essenciais”. A definição dos dez essenciais varia um pouco de região para região, conforme principalmente às condições climáticas vigentes no local. A lista consiste no mínimo de equipamento necessário para se lidar com as emergências que possam ocorrer ao ar livre e, principalmente, para permitir que um grupo acidentado ou perdido consiga improvisar um abrigo e sobreviver a uma noite passada ao ar livre, para no dia seguinte sair em busca de ajuda. Podemos considerar os dez essenciais como a “apólice de seguro” do excursionista. Estatisticamente o maior índice de acidentes fatais em excursionismo ocorre em atividades com previsão de apenas um dia ou algumas horas de duração, justamente porque os grupos acidentados não levavam equipamento para um pernoite de emergência. Em climas mais frios, a situação é ainda mais crítica, pois aumenta o risco de hipotermia, a maior causa de morte em excursionismo. Para o Brasil, a lista dos dez essenciais cabe facilmente em uma mochila pequena ou mesmo em uma pochete grande, e consiste de:

- Abrigo contra a chuva e o vento: o ideal são agasalhos fechados e com capuz (como uma jaqueta, só que sem um forro quente), feitos de um material impermeável. Esses agasalhos são conhecidos como Anoraks ou Parkas. Além de proteger contra a chuva, ele protege contra o vento, evitando que este passe entre as fibras das roupas interiores, e assim aumentando a proteção destas contra o frio. Um outro tipo de proteção contra a chuva são os ponchos, um corte retangular de plástico ou nylon com um capuz no centro. Apesar de bastante úteis na chuva, não protegem bem quando há vento ( como são abertos, as abas voam e a chuva entra por baixo). Em uma situação de extrema emergência, um ou dois sacos de lixo grandes (100 litros) servem como abrigo improvisado, embora nada confortável.
- Roupa extra: Uma muda extra de roupa de frio, embalada em um saco plástico para estar sempre seca. Em geral, uma boa malha de lã ou material sintético serve, conforme o clima. Deve ser o suficiente para evitar a hipotermia durante uma noite passada ao ar livre. É MUITO IMPORTANTE LEMBRAR QUE AGASALHOS DE MOLETON DE ALGODÃO NÃO SÃO INDICADOS, pois o algodão demora muito para secar e não aquece quando está molhado, representando um RISCO durante uma emergência.
1. Cantil: Uma garrafa para água, com a tampa bem hermética. Uma garrafa de refrigerante de plástico, com tampa de rosca, funciona muito bem.
2. Comida extra: Um chocolate, ou um pacote de biscoitos deixados no fundo da mochila. Ou pouco mais do que você realmente vai precisar durante a atividade.
3. Lanterna: Uma pequena, de pilhas AA serve. É bom lembra que as pilhas devem estar novas, e se deve levar um jogo extra de pilhas e uma lâmpada reserva.
4. Fósforos ou isqueiro: Levar em uma embalagem impermeável.
5. Estojo de primeiros socorros: Contendo apenas o básico; esparadrapo impermeável, pequenos curativos (band-aid), sabonete bactericida, gaze, bandagens.
6. Bússola e mapa da região: O ideal é cada um ter sua bússola e seu mapa. Se não estiver levando, certifique-se de que pelo menos duas pessoas do grupo estejam levando.
7. Apito: Caso alguém se perca do grupo, um apito pode ser ouvido a maior distância que um grito, e apitar exige bem menos esforço de uma pessoa ferida que gritar.
8. Canivete ou faca: Uma boa ferramenta de corte é imprescindível em uma emergência. É útil durante a improvisação de um abrigo, para fazer curativos, para construir uma maca etc.

Equipamento complementar

O material complementar, em uma caminhada de um dia consiste em:
- Par de tênis confortável: o ideal são botas apropriadas para caminhar;
- 1 par de meias:
- Shots ou bermudas:
- Calça comprida para caminhar: Serve para evitar ferimentos nas pernas ao andar em locais com vegetação mais pesada. O ideal é uma calça de Tactel ou Suplex, porque são leves, ocupam pouco espaço na mochila e secam rapidamente quando molhadas. Evitar o moleton por motivos explicados acima;
- 1 ou 2 camisetas:
- Chapéu ou boné
- Roupa de banho:
- Protetor solar:
- Papel higiênico:
- Mochila pequena ou pochete:

Para caminhadas com pernoite, além do material já descrito acima, é necessário:

- Saco de dormir ou cobertor:
- Isolante térmico para o chão:
- Mochila de caminhada: uma mochila confortável, com capacidade acima de 50L ( a não ser que você consiga voluntários para levar suas coisas).
- Barraca: Conforme o número de pessoas.
- Material de cozinha: Panelas, pratos, canecas, talheres, conforme o número de pessoas.
- Fogareiro: Portátil, a gás, álcool ou outro combustível.
- Corda e equipamento de segurança: Um conjunto por grupo

Equipamento desejável para o grupo excursionista

- Rádios comunicadores HT (Talk About)
- Localizador GPS
- Mapas detalhados da região
- Observações:Colocar tudo dentro de sacos plásticos, principalmente o saco de dormir e os agasalhos. Para proteger melhor equipamentos fotográficos, documentos, e outras coisas mais sensíveis, existem os sacos estanques, que permitem inclusive entrar n'água sem que o equipamento molhe.