| |
Modalidades em Rocha e Muro Artificial
Escalada Indoor
A escalada esportiva em muro artificial
é divertida, exige pouquíssimo equipamento, é 100%
segura e pode ser praticada mesmo com chuva ou milhares de quilômetros
longe das montanhas. Por isso, é uma ótima forma de treinamento
para quem mora longe da rocha. É também a única modalidade
competitiva reconhecida pela União Internacional de Associações
de Alpinismo, UIAA. Em geral, a escalada em muro artificial para fins
de treinamento ou simples diversão é feita com corda por
cima. Já nas competições, a segurança é
dada por baixo.
Bouldering
Modalidade radicalmente atlética. Atinge os
mais altos graus de dificuldade técnica entre todas as formas de
escalada. Um problema de bouldering consiste num único lance, extremamente
difícil, que é escalado sem corda, sempre a poucos metros
do chão. As quedas são normais e fazem parte do jogo. Embora
o escalador possa ferir o tornozelo se cair de mal jeito, a modalidade
é bastante segura; é improvável que aconteça
um acidente grave em bouldering. Ao praticar bouldering, é recomendável
remover as pedras soltas do chão e ter alguém por perto,
de prontidão, para equilibrar o escalador quando ele cair, evitando
que caia de mal jeito.
Escalada Esportiva
Modalidade atlética em rocha que se desenvolveu
muito nos anos 80. Envolve regras e um vocabulário bastante específicos.
É praticada em vias curtas (raramente mais de 20 metros), de grande
dificuldade técnica (a maioria acima do 7o grau) e sempre bem protegidas.
Em escalada esportiva, não existe conquista de via. As vias são
grampeadas de cima para baixo, em rapel ou já se encontram grampeadas.
As costuras são também colocadas em rapel ou por um guia
anteriormente ao escalador esportivo. Quando se usa proteção
móvel, o que é raro nessa modalidade, as ancoragens são
previamente instaladas na rocha. Como nas competições em
muro artificial, o escalador sobe apenas com o boudrier, saco de magnésio
e capacete e vai engatando a corda nos mosquetões previamente instalados
à medida que progride.
O objetivo básico é escalar a via inteira,
a partir do chão, com segurança por baixo, sem cair e sem
se apoiar na corda ou nos grampos para descansar. Isso é chamado
de redpoint ou encadernamento. Se uma via foi grampeada (também
se diz equipada) mas ninguém conseguiu fazer o redpoint, então
ela é chamada de projeto. Se o redpoint for conseguido na primeira
tentativa, ganha o nome de flash. Se o autor do flash não viu ninguém
escalando a via antes, então trata-se de um flash on-sight. Se
o escalador cai repetidas vezes enquanto ensaia uma via, isso é
chamado de hangdogging. Em geral, os catálogos de vias esportivas
indicam o nome do autor do primeiro redpoint que, quase sempre, é
o mesmo esportista que grampeou a via. Na escalada esportiva ortodoxa,
não se escala com corda por cima (top rope), exceto como treinamento.
Mesmo para quem prefere a escalada tradicional, vale a pena praticar um
pouco em vias esportivas. É uma ótima maneira de desenvolver
as habilidades para escalar graus mais elevados.
Escalada Livre Tradicional ou Clássica
Na escalada livre tradicional, o objetivo
é escalar a via no melhor estilo possível. Isso significa
basicamente evitar o uso de pontos de apoio artificiais. Ainda assim,
ao contrário do que acontece na escalada esportiva, uma via tradicional
pode incluir algum trecho de progressão em artificial. Em geral,
o grau de dificuldade técnica atingido é mais baixo do que
nas vias esportivas (raramente acima do 7º), mas há a exigência
de resistência física para suportar longas horas na parede.
Além disso, há um contato maior com o ambiente, o que torna
recomendável conhecer um pouco de meteorologia e até de
navegação em trilha (para chegar até a via).
Na escalada livre clássica, as vias são conquistadas, quer
dizer, a primeira ascensão é feita com segurança
por baixo. Nesta modalidade, e também na escalada alpina e na de
big wall, a ascensão é, em geral, feita em duplas.
Cada escalador se prende a uma das pontas
da corda. Aquele que sobe primeiro é chamado de guia e, o outro,
de participante ou segundo. Este escala com segurança dada por
cima pelo guia. É comum os dois trocarem de posições
após cada enfiada de corda. A proteção móvel
é empregada sempre que possível (ou seja, sempre que existirem
fendas adequadas) e pode haver trechos sem proteção nenhuma
na via (graus R ou X na graduação de Ericson).
A regra básica, nas conquistas, é
proteger suficientemente os lances mais difíceis e supor que o
guia não vai cair naqueles bem mais fáceis (dois graus ou
mais abaixo do lance mais difícil). Ninguém deve esperar
uma segurança total, como a encontrada na escalada esportiva. Na
escalada tradicional há alguns lances em que, simplesmente, o guia
não deve cair, e outros em que a queda é aceitável
(geralmente, os mais difíceis). É normal uma via tradicional
exigir duas cordas para o rapel de descida.
Big Wall
A modalidade big wall consiste na ascensão de
grandes paredões de pedra com trechos verticais, tetos e negativos.
Essas escaladas podem demorar vários dias e fazem uso intenso de
técnicas de progressão em artificial. O rack de material
necessário para entrar numa big wall é, às vezes,
maior do que todo o estoque de uma loja média de equipamentos brasileira.
Uma lista típica para uma via de artificial limpo (sem pitons)
incluiria uns 80 mosquetões ovais, 2 jogos de Camalots, 2 jogos
de TCUs, 2 jogos de stoppers, 2 jogos de micronuts, um dúzia de
hooks variados, umas 30 fitas, 3 ou 4 cordas, 1 ou 2 haulbags, 1 portaledge,
o material de bivaque e, somente para emergências, um kit de grampeação.
Junte a isso comida e água para uma semana e
você já pode imaginar o tamanho e o peso da carga, que é
içada com ascensores e polias. Numa via de pitonagem típica,
além desse material, os escaladores carregariam entre 40 e 60 pitons
variados, dois martelos e um extrator de pitons. A tendência, hoje,
é no sentido de se evitar ao máximo o uso de pitons, já
que eles estragam as fendas. Além disso, algumas walls clássicas
vem sendo escaladas num único dia por atletas de muito alto nível.
|
|