O que é Caving

Por Geuis Soarez*

Para definirmos o que é caving, necessitamos, antes, definir o que é Espeleologia. Trata-se, basicamente, de uma atividade direcionada para o estudo das cavernas e cavidades naturais, sua origem e evolução, de sua fauna e flora singular, atual e passada, exploração, pesquisa, documentação e preservação delas, bem como as técnicas que são empregadas para o seu respectivo estudo.

Neste segmento, que está voltado para a área científica, existem inúmeros profissionais (biólogos, geólogos, engenheiros, químicos, entre outros), que desenvolvem diversos estudos aprofundados nesta ampla e complexa atividade que é a Espeleologia.

Com uma outra forma de atuação, o caving está direcionado para a área técnico-esportiva, ou seja, a prospecção e exploração de cavernas e cavidades naturais, buscando o desenvolvimento da espeleo-documentação, a espeleo-fotografia e a logística espeleológica. É a mutação da área científica, onde o prazer e a emoção geram um sentimento misto, de temor e desejo; temor das trevas, do desconhecido e desejo de encontrar, ali, as chaves de mistérios ainda sequer suspeitados.

Convém mencionar que em ambos os segmentos são fundamentais, além da curiosidade e destreza física, competência técnica e/ou científica.


Esportes Verticais

Equipamentos Pessoais

Cadeirinha
    Conjunto de fitas que lhe dá suporte, distribuindo seu peso ao redor do quadril. Ela lhe permite fazer qualquer manobra vertical, ou se necessário, ficar pendurado por horas com segurança. Algumas são caseiras, fabricadas com fitas e costuradas com uma máquina industrial porém o mais seguro é mesmo recorrer a uma de fabricação profissional.

MR ( Maillon Rapide )
    O MR é o elo de ligação entre a cadeirinha e o rabo-de-vaca, a corda ou os equipamentos quando são utilizados portanto, é um atributo de extrema importância. Trata-se de um elo metálico (semelhante a um mosquetão ) com longa porca sextravada, que rosqueia ambas as extremidades do anel fechando-o. O MR é projetado para absorver força de impacto vindos de várias direções. Daí sua diferença de um simples mosquetão.

Blocante
    Os blocantes são equipamentos que travam a corda em uma direção, deixando-a seguir somente na direção contrária. Em geral, os blocantes são utilizados principalmente para subidas em corda ou, em alguns casos, em segurança para escalada. Pode-se encontrar blocantes com ou sem manopla. Dentre os principais destacam-se o Croll, o Basic e o Ascencion (ambos da Petzl)

Freio de Rappel
    Tratam-se de equipamentos que usam do atrito na corda para controlar a velocidade de descida. Há dois tipos básicos de freio de rappel: os de atrito fixo, como o Oito e os Dressler ( Petzl ) e os de atrito regulável como o Reco.

Oito
    Perfeito para rappel em cachoeiras de altura pequena e média. Para descidas em caverna, não é aconselhado o uso do Oito pois este torce a corda, desgasta-se facilmente, tem que ser dissipado da cadeirinha na hora de montar na corda e cujo o atrito é insuficiente.

Reco
    C
onsiste em um barra comprida, dobrada em U onde encontra-se 5 ou 6 barretes de alumínio por onde passa a corda de forma alternada entre os barretes produzindo assim o atrito. Possui também um olhal para clipá-lo à cadeirinha. Apesar do tamanho e peso maior que os outros freios, o Reco mostra-se bastante versátil para descidas em abismos de médio e grande profundidade. Pode-se, ao longo da descida, regular a densidade do atrito facilmente adicionando, subtraindo ou apenas regulando a distância dos barretes.

Dressler
    Os mais comuns e populares são o Simple e o Stop. Ambos se resumem em aparelho provido por 2 espécies de "polia" (que não giram) por onde a corda passa em forma de S. O atrito no caso do Simple é controlado pela mão do usuário que libera a corda de acordo com a velocidade desejada. Já o Stop é equipado com uma trava automática em forma de alavanca. Se acionada trava, o atrito diminui e a velocidade aumenta. Se liberada, a alavanca trava a corda interrompendo assim a descida. Não é recomendado altas velocidades em descidas longas pois o Dressler não dissipa o calor tão bem quanto o Recco podendo danificar a capa da corda e... dexa pra lá. Independente do equipamento desca com cuidado, com bom-senso, com segurança.

Rabos de vaca
    São usados o tempo todo, para clipar-se às ancoragens, aos corrimões à beira de um lançe, nos fracionamentos, ao trocar de corda ou para qualquer outra manobra vertical. O mais frequente hoje é o uso de de 2,5 a 3m de corda dinâmica de 9mm com um nó no meio (clipado ao MR) e duas pontas de comprimentos diferentes, providas de nós e mosquetòes. Nesse pedaço de corda geralmente providencia-se dois rabos-de-vaca: um de cerca de 70 cm e outro de aprox. 1,20m.

Mosquetão
É ele quem exerce na maioria das vezes o seu ligamento com os equipamentos portanto é tão importante quanto qualquer outro material usado nessas técnicas.

Equipamentos coletivos

A Corda
    Existem dois tipos de corda: elásticas ( ou dinâmicas ) e inelásticas ( ou estáticas ). As cordas dinâmicas são usdas em escalada pois absorvem dinamicamente o impacto causado em uma queda do escalador. Já as cordas estáticas são usadas na montagem de cordas fixas, ou para resgate, ou para qualque outra situação onde seja necessário o uso de uma corda para tração. A falta de elasticidade reduz o efeito "iô iô" (quando alguém desce ou sobe sobre ela ) reduzindo assim o atrito da corda sobre qualquer ponto em seu percurso que passe despercebido.
    Para o uso em cavernas , o ideal é o uso de uma corda estática porém com um pouco de elasticidade para absorver algum possível impacto de queda. A elasticidade idel para essa corda estaria em torno 4% ou inferior. Os principais fabricantes de cordas usadas em cavernas são: PMI, Maxim, Beal e Bluewater ( todos gringos ). Muitas considerações são importantes na hora de escolher uma corad como sua flexibilidade, resistência à abrasão, absorção de água ( idesejável pois aumenta o peso), sua retração, etc.

Fonte: http://wsystem.com.br/hardgrit/Tech%20Info/CavernaEequipamentos.htm